Mas, qual abusador, falei outra vez ao Mestre porque achava que ainda faltava algo para que a singela homenagem que lhe queria fazer não ficasse incompleta. E pedi-lhe que me deixasse pôr aqui mais qualquer coisa. Respondeu-me o Iluminado Maior "vá lá, oh Aprendiz de uma figa que devias estar era calado como manda a tradição, põe outra coisita de que gostes, mas chega de abusos". E eu, outra vez cabisbaixo de gratidao mas exultante de alegria, perante a magnanimidade do meu Mestre, lá fui buscar 2 trechos sublimes que, para mim, completaram de forma soberba o primeiro. Até me senti in templi, prestes a envergar as sagradas vestes e a cingir o montante de encontro ao peito. Lembrei-me, ao mesmo tempo, das sábias palavras que o meu outro Mestre Raymond Bernard (agora habitante ilustre do Oriente Eterno) usava para terminar os seus maviosos discursos: "Ainsi Soit-il" (Assim Seja)
E assim vedes, meu Irmão,
que as verdades que vos foram dadas
no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de
adepto Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
Do Ritual do grau de Mestre do Átrio
Na Ordem Templária de Portugal
Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.
E deveria ser assim que os Homens justos e de bons costumes teriam de proceder uns com os outros. Mas nem todos "padecem" de justiça nem "sofrem das maleitas" de terem bons costumes, preferindo atropelar o seu semelhante por dá cá a quela palha, impantes e julgando-se todos poderosos e omniscientes . A tal glória vã de mandar.
Dignos de pena, sim, dignos de pena e, porque não, de umas cachaporras lusitanas.Ah grande Viriato e soberbo Afonso Henriques, que tanta falta fazem para pôr com dono toda esta ralé de "mandantes e comandantes" e de déspotas não esclarecidos. E, olá, se eu conheço alguns e algumas. Mas o tempo a razão do Arquitecto se encarregarão de os reduzir à dimensão de bagos de milho, que as vaquinhas nossas amigas tratarão de deglutir e depois excretar para que retornem ao odor original que é, genuinamente, o deles.
Bom, o Jony Pestana já me chamou e eu, que amanhã devo ter que entender com um candidato a BM (?) vou fazer um Sacrossanto ÓÓ.
Amigos, Amigas, Inimigos, Inimigas e outro tipo de Entidades Viventes.....até mais ver e boa semana para todos.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
O Irmão Fernando
Hoje falta-me a imaginação. Por isso falei com o meu Irmão Fernando, sim o Pessoa, e pedi-lhe que me deixasse ter a honra de por neste pobre cantinho do escriba menor um dos seus mais sublimes e esotéricos poemas. Ele, na sua bonomia e cofiando o bigode depois de saborear um café no velho Martinho, o da Aracada, lá me disse "bom, põe lá o dito óh eterno Aprendiz". E eu agradecendo, curvado de respeito, a benesse aqui vos trago esssa peça etérea de seu nome Iniciação, sentindo um intenso frémito espinoascendente que agitou os meus pobres neurónios e demais entidades celulares que povoam este amendoim torrado habitante do craniozito, que encima a casca corpórea de Moi.
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais:
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não ’stãs morto, entre ciprestes.
Neófito, não há morte.
Presença, nº 35, Maio, 1932.sa peça etérea.
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais:
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não ’stãs morto, entre ciprestes.
Neófito, não há morte.
Presença, nº 35, Maio, 1932.sa peça etérea.
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