terça-feira, 4 de dezembro de 2007

RMA OTP

Mas, qual abusador, falei outra vez ao Mestre porque achava que ainda faltava algo para que a singela homenagem que lhe queria fazer não ficasse incompleta. E pedi-lhe que me deixasse pôr aqui mais qualquer coisa. Respondeu-me o Iluminado Maior "vá lá, oh Aprendiz de uma figa que devias estar era calado como manda a tradição, põe outra coisita de que gostes, mas chega de abusos". E eu, outra vez cabisbaixo de gratidao mas exultante de alegria, perante a magnanimidade do meu Mestre, lá fui buscar 2 trechos sublimes que, para mim, completaram de forma soberba o primeiro. Até me senti in templi, prestes a envergar as sagradas vestes e a cingir o montante de encontro ao peito. Lembrei-me, ao mesmo tempo, das sábias palavras que o meu outro Mestre Raymond Bernard (agora habitante ilustre do Oriente Eterno) usava para terminar os seus maviosos discursos: "Ainsi Soit-il" (Assim Seja)


E assim vedes, meu Irmão,
que as verdades que vos foram dadas
no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de
adepto Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.

Do Ritual do grau de Mestre do Átrio
Na Ordem Templária de Portugal


Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.


Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.


E deveria ser assim que os Homens justos e de bons costumes teriam de proceder uns com os outros. Mas nem todos "padecem" de justiça nem "sofrem das maleitas" de terem bons costumes, preferindo atropelar o seu semelhante por dá cá a quela palha, impantes e julgando-se todos poderosos e omniscientes . A tal glória vã de mandar.
Dignos de pena, sim, dignos de pena e, porque não, de umas cachaporras lusitanas.Ah grande Viriato e soberbo Afonso Henriques, que tanta falta fazem para pôr com dono toda esta ralé de "mandantes e comandantes" e de déspotas não esclarecidos. E, olá, se eu conheço alguns e algumas. Mas o tempo a razão do Arquitecto se encarregarão de os reduzir à dimensão de bagos de milho, que as vaquinhas nossas amigas tratarão de deglutir e depois excretar para que retornem ao odor original que é, genuinamente, o deles.
Bom, o Jony Pestana já me chamou e eu, que amanhã devo ter que entender com um candidato a BM (?) vou fazer um Sacrossanto ÓÓ.
Amigos, Amigas, Inimigos, Inimigas e outro tipo de Entidades Viventes.....até mais ver e boa semana para todos.

O Irmão Fernando

Hoje falta-me a imaginação. Por isso falei com o meu Irmão Fernando, sim o Pessoa, e pedi-lhe que me deixasse ter a honra de por neste pobre cantinho do escriba menor um dos seus mais sublimes e esotéricos poemas. Ele, na sua bonomia e cofiando o bigode depois de saborear um café no velho Martinho, o da Aracada, lá me disse "bom, põe lá o dito óh eterno Aprendiz". E eu agradecendo, curvado de respeito, a benesse aqui vos trago esssa peça etérea de seu nome Iniciação, sentindo um intenso frémito espinoascendente que agitou os meus pobres neurónios e demais entidades celulares que povoam este amendoim torrado habitante do craniozito, que encima a casca corpórea de Moi.

Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais:
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não ’stãs morto, entre ciprestes.
Neófito, não há morte.
Presença, nº 35, Maio, 1932.sa peça etérea.